Os magnatas da Publicidade
sábado, 3 de maio de 2008 às 11:30
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Ainda no início do século XIX, jornais ingleses como o London Gazzette, já anunciavam companhias de navegação, peças teatrais, corridas de cavalo, serviços de médicos e outras coisas mais. A partir desses anúncios, o termo “propaganda” começou a ganhar destaque, principalmente quando se falava em produtos, em marcas, em publicidade. Nos Estados Unidos, ainda quando este era dividido em treze colônias, o jornal Boston Newsletter apresentou anúncios imobiliários. Benjamin Franklin, um dos pais da nação americana, destinou várias páginas do jornal ao que chamava de new advertisements, onde eram anunciados basicamente serviços de artesãos e comerciantes. Começava, então, o nascimento da sociedade de consumo.
Você deve estar se perguntando porque estou fazendo todo esse apanhado histórico. Qual o verdadeiro motivo dessa coluna? Pelo título já é possível chutar mais ou menos do tema que ela irá abordar e, obviamente, como sempre faço, levando isso mais para o lado cinematográfico ou das séries de televisão, como preferir. Com o capitalismo, é impossível pensar em uma sociedade sem levar em contato o consumismo. Além disso, como falar em consumo sem mencionar a força das campanhas publicitárias, dos anúncios e tudo aquilo que impera dentro desse meio? A série Mad Men, exibida nos Estados Unidos no canal AMC, resolveu aprofundar mais o tema, fazendo um recorte da realidade dos Publicitários na década de 60. O mais interessante de tudo na série é esse foco dos roteiristas. Se, por exemplo, eles resolvessem abordar os dias atuais, pouca coisa poderia ser analisada. Na década de 60, existiam parâmetros que eram próprios daquela época.
Mad Men procura mostrar como é a vida de uma agência publicitária em Nova York, no auge do capitalismo e de toda essa forma da sociedade de consumo já mencionada por este blogueiro assim que a coluna foi introduzida. E a série não procura apenas apresentar o cotidiano e a rotina desses publicitários, ela procura também enfatizar a época de ouro que foi esses anos 60, não só para a Publicidade, mas também para a Música e, principalmente, para o cinema. Além disso, para nós que não fizemos parte daquela época, é uma boa oportunidade de observar a forma como ela é muito bem retratada, dando valor a tudo da época, sejam os carros, os figurinos, a arquitetura dos prédios, das casas. Não apenas isso pode ser observado como um retratado da década de 60, mas também como os papéis eram muito claros: homens trabalhando e mulheres cuidando da casa e dos seus filhos. Assim, as mulheres andavam com aquelas saias e todo aquele glamour, mesmo em casa. Enquanto que os homens sempre estavam bem arrumados, de paletó, com bastante gel no cabelo e passando aquele ar de superioridade.
Portanto, como falar dessa época sem mencionar a forte propaganda que eram feitas em cima das marcas de cigarro? É impossível ver uma cena sem que um personagem esteja fumando. E logo no primeiro episódio isso fica evidente, a forma com que os anos 60 também foram os anos dourados para o cigarro. Don Draper (interpretado por Jon Hamm e vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator), um dos magnatas que a série procura explorar, já aparece no primeiro episódio do programa tentando criar um novo slogan para a marca de cigarro Lucky Strike, depois que havia saído em uma revista da época uma reportagem que fumar causava diversos problemas à saúde, inclusive câncer de pulmão . Donald Draper tinha que criar algo que mostrasse o prazer que era fumar um cigarro com este emblema. Não é apenas na série que a “importância” do cigarro fica evidente, mas na própria capa de DVD especial que irá sair nos Estados Unidos, tendo o visual de um isqueiro.
O criador da série, Matthew Weiner, também escritor e produtor da premiadíssima The Sopranos, tem um roteiro completamente inteligente quando ele procura narrar a sua trama com base no que acontece na Agência de Publicidade Sterling Cooper, focando na vida de Donald Draper e também nas pessoas que estão ao seu redor. Além disso, ele mostra as mudanças de comportamento que estavam aflorando naquela “américa dos anos 60″. O cuidado com a produção da série é algo que fica muito claro, principalmente pela pesquisa histórica que os seus roteiristas tiveram que fazer para tornar tudo completamente real, desde os design de cenários, até o figurino e os objetos de cena.
A abertura da série também é algo genial, quando ele apresenta, em computação gráfica, um homem de negócios em queda livre, cercado de outdoors de diversos produtos e pôsters publicitários da época. E a trilha sonora também é muita característica tocando, por exemplo, “Manhattan” com Ella Fitzgerald, finalizando o quarto episódio da série. Cigarros, bebidas alcóolicas, sexismo, preconceito racial, mudanças de comportamento, tudo isso é devidamente destacado pelo roteiro, que ainda ganha maior destaque pelas boas interpretações de seus atores, principalmente de Jon Hamm, que esbanja autoconfiança a cada cena que aparece e o tom sério que os homens tinham naquela época.
Mad Men é uma série praticamente completa, cheia de boas atuações, com uma produção caprichada, ousada e bastante cuidadosa. Além disso, o cinismo do programa, a ironia e os bons diálogos, que recheam a série com tantas referências históricas. Inteligente, atraente e charmosa, virtudes que fazem de Mad Men uma das melhores séries que foram lançadas no ano passado. A AMC já renovou o programa para uma segunda temporada, mas ainda sem data de estréia.


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