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Um 70’s show irreverente
sexta-feira, 20 de junho de 2008 às 12:50
por Vinicius Silva

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A midseason sempre nos reserva bons programas, o que acaba sendo uma alternativa às séries que entraram de férias e que só devem retornar entre os meses de agosto e setembro. Normalmente as emissoras americanas conseguem investir bastante nesse meio do ano, como é o caso da rede ABC Family que tem, na grande maioria da sua grade, seriados que sempre estréiam nesta época. No entanto, quem tem roubado mesmo a cena é a CBS com a série Swingtown, que tem conseguido chamar atenção pela construção de um tema polêmico e pela recriação da década de 70.

O período da década de 70 foi extremamente conturbado, mas a música foi a expressão que mais se sobressaiu, assim como a mudança de comportamento das pessoas. O classic rock teve o seu surgimento e por essa razão os anos 70 também é chamado de “a década da discoteca”, devido ao surgimento da dance music e todos aqueles bailes que agitavam as boates de todo o mundo. Grupos como Pink Floyd, Genesis, Jethro Tull, dentre outros, foram de grande importância para a incorporação de anos tão significativos e de uma evolução musical muito importante. O glamour visual que começou com David Bowie também marcou uma década em que as pessoas seguiam uma moda que, nos tempos atuais, é simplesmente chamada de “brega”. A força de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, ainda ajudaram a criar uma tensão muito mais forte para o rock e influenciando as gerações seguintes, assim como Sex Pistols, Ramones, The Clash e tantos outros conjuntos musicais que marcaram época.

É dentro desse círculo que se desenvolve a série Swingtown, considerada como uma das grandes promessas do canal CBS para esquentar essa midseason. A história gira em torno dos casais Susan e Bruce, Tom e Trina. Os dois primeiros acabaram de se mudar para uma vizinhança no subúrbio de Chicago, onde os residentes praticam o swing. E essa premissa não poderia se passar em uma década melhor, visto que os anos 70 tem toda a ousadia e a irreverência que um tema como este necessita. Por essa razão, a série não tem a intenção de retratar como nenhum romantismo a idéia, mas sim tentando recriar uma realidade. E isso fica claro na parte técnica do programa. É impressionante como as construções são realmente idênticas às da época, assim como os carros, as rodovias, o figurino, os costumes dos personagens e tantas outras características marcantes da série.

Além disso, a série tá sabendo construir muito bem os seus personagens. Assim que assisti o episódio piloto, resolvi não traçar muitos comentários positivos para não ser surpreendido no capítulo seguinte. Porém, Swingtown continuou muito bem a história mostrando as conseqüências dos atos que foram explorados na sua estréia e a reação dos casais. Trina e Tom são os que conduzem Susan e Bruce para a nova prática com a intenção de levantar o astral do relacionamento entre os dois, que estava um pouco frio até por conta do tempo que estão juntos e dos dois filhos que tiveram. Susan e Bruce, com a ajuda de Tom e Trina, encontram no swing uma forma de continuar vivendo o amor. E me parece que esse tipo de recriação é a melhor possível, não apenas criando um fato sem um mero significado. A série tem o objetivo de transmitir que o relacionamento aberto pode ser uma saída para os problemas que muitos casais enfrentam como, por exemplo, os ciúmes, as desconfianças e o medo do outro encontrar uma outra pessoa.

Mesmo assim, o que realmente exalta a qualidade de Swingtown é a sua trilha sonora. Contagiante como a década foi, até agora foi o que de melhor a série se preocupou em mostrar, revivendo grandes clássicos da música como Johnny Cash, Rolling Stones, Bob Dylan. Assim como músicas de extremo sucesso, entre elas estão “Radar Love”, “Machine Gun”, “I Can See Clearly Now” e tantas outras belas canções. E acho imensamente importante esse resgate que a série tem feito, o que acaba sendo uma oportunidade para aqueles que não viveram nesta década de, pelo menos, ouvir e sentir o que foram aqueles anos de drogas, sexo e muito rock n’ roll, além da busca pela aceitação das mulheres o que acabou gerando os movimentos feministas que se iniciaram mais tarde.

Ainda é muito cedo para se avaliar Swingtown porque foram apenas dois episódios exibidos, mas é impossível não dizer que a série já conseguiu obter um tremendo destaque, seja com a trilha sonora maravilhosa ou com o tratamento de um tema tão polêmico e sensual. Mas não pense que o programa é cheio de sexo, porque ele não é. Se você está pensando em assistir por este motivo, a série não vai responder às suas expectativas. Mesmo sem as cenas que poderiam conter, Swingtown tem conseguido criar personagens que são tão contagiantes quanto a sua trilha sonora e que, acima de tudo, possuem “a cara dos anos 70.”

Dica: Vocês podem acessar o link http://www.lastfm.com.br/group/swingtown para ouvir as músicas que são tocadas nos episódios da série.

Um comentário para “Um 70’s show irreverente”

  1. Gravatar Junior

    Nossa, essa série tá demais.
    Recriaram tudo perfeitamente.
    Dá até gosto de assistir.

    [Responder]

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